Texto: Marco Borba

Fotos: Fernanda Cazarini

Driblar a crise econômica e buscar o sustento trabalhando por conta própria é o sonho de milhares de brasileiros, sobretudo das famílias em situação de vulnerabilidade social. Um dos caminhos que muitos encontraram para realizar esse desejo foi o programa Economia Solidária, desenvolvido pela Prefeitura de Osasco, por meio da Secretaria de Desenvolvimento, Trabalho e Inclusão (SDTI).

As ações do programa visam gerar trabalho e renda, promover o desenvolvimento econômico local, a inclusão de pessoas em situação de vulnerabilidade social, a sustentabilidade ambiental e a segurança alimentar, tendo como base os princípios da economia solidária.

O apoio e fomento para a viabilidade das redes solidárias se dá por meio da incubação de empreendimentos populares por um período de 24 meses, apoio à comercialização, pesquisa e inovação, e assessoria nas áreas administrativa, econômica, contábil e técnica.

Para ingressar no programa, a pessoa precisa ter ideia do segmento em que pretende atuar e certo domínio prático do que vai produzir. Por exemplo: se for com a agricultura, precisa saber plantar e lidar com a terra. Nas oficinas, ela receberá instruções técnicas de aprimoramento e dicas de como conquistar clientes, comprar em grupo para baratear custos de produção, e viabilidade econômica do empreendimento. 

Os segmentos econômicos que recebem acompanhamento são: agricultura urbana, catadores (as), alimentação, artesanato e costura, entre outros. Implantado em 2006, o programa preconiza as ações coletivas. Ou seja, ainda que a pessoa tenha ideia de plano de negócio individual, é estimulada a se juntar a outras pessoas para a viabilidade do mesmo.

As oficinas ocorrem uma vez por semana e o processo de incubação dura 24 meses. Passado esse período, as cooperativas passam a atuar de forma autônoma, para abrir espaço a outros grupos. No momento, 37 pessoas estão em processo de formação de cooperativas de trabalho nos segmentos de alimentação, costura e artesanato.

Assim que procuram a SDTI, os interessados são submetidos a uma entrevista. Caso se enquadrem no perfil do programa, passam por formação inicial com noções de economia solidária. É preciso apresentar um pré-projeto para que os técnicos da SDTI avaliem a viabilidade do empreendimento.

Na área de artesanato, a cidade conta com três grupos, a Raios de Sol, a Itinerantes e a Atosol. O programa formou 74 pessoas neste segmento, que hoje são autônomas. Há ainda três cooperativas de catadores (Coopermundi, Cooperareis e Coopernatus). Juntas, elas reúnem 42 trabalhadores.

 

AGRICULTURA URBANA

Na agricultura urbana, os grupos (35 pessoas) também atuam em sistema de cooperativa e plantam em áreas públicas ou privadas. Cada uma tem seu próprio canteiro e comercializa individualmente.

É o caso do agricultor Genivaldo Silva Xavier, 50 anos, um dos cooperados na Horta Cantinho Verde, no Jardim Canaã (zona Norte). Ele foi um dos primeiros a participar do programa Economia Solidária e há dez anos planta em área pertencente à Eletropaulo.

“Estava desempregado e ouvi falar do programa. Fiz minha inscrição e passei a frequentar as oficinas. Eu já tinha experiência em plantio, porque sou descendente de indígenas e trabalhei na roça quando jovem. Hoje não penso mais em voltar ao mercado (era metalúrgico) de trabalho, porque está dando para ajudar no sustento de casa”, garante.

Pai de três filhos (duas mulheres e um homem), todos já casados, Xavier mora com a esposa, que atua em outro ramo de atividade. A exemplo dos demais cooperados, ele vende seus produtos na vizinhança. O grupo comercializa alface, cebolinha, beterraba, quiabo, couve, rúcula, repolho e almeirão, entre outros.

Segundo Xavier, o melhor período para a produção de hortaliças é entre abril e outubro. “É o período que dá para produzir e vender mais, porque no verão, por conta das altas temperaturas e temporais, a gente perde muita coisa”.

Há dez áreas no município para o desenvolvimento das incubadoras de hortas urbanas. São quatro privadas (Eletropaulo) e seis públicas. A empresa cede o terreno à Prefeitura em sistema de comodato. Todo final de ano ocorre a Feira Regional da Economia Solidária, na qual os grupos em processo de incubação e os já incubados comercializam seus produtos. No ano passado, a feira aconteceu na Praça Duque de Caxias, Centro.

 

 

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